A publicação de hoje pode chocar alguns, e, por certo, que a minha (Ela) mãe não vai gostar de ler esta publicação, pois ela sonha com o dia em que será avó. No entanto, é uma publicação que não conseguimos deixar de fazer, não porque a sentimos na pele, porque de facto não é um assunto que nos incomode, mas porque há mais casos como o nosso e nós acreditamos que não devem ser postos de parte na sociedade por uma decisão que nem devia afectar ninguém mais do que o próprio casal. Escrevemos sobre este assunto somente para transmitir as nossas ideias sobre o assunto. Se ajudarmos alguém a não discriminar, ou apenas chatear, por isso, então já serviu para alguma coisa. Deixem-nos acreditar que vale a pena e continuem a ler esta publicação, está bem?
       A sociedade, no geral, a certa altura da vida, começa a achar que nos pode impor o estilo de vida dito “normal” para que a civilização continue. É esperado que a partir da adolescência tenhamos uma namorada/o, respectivamente; depois que encontremos casa para morarmos juntos, após o casamento; sendo que a seguir deve o casal ter filhos. E nisto somos todos máquinas de reprodução. Não, não é o que acreditamos. Acreditamos que devemos fazer por nos sentirmos realizados. Se pelos mais diversos motivos da vida não encontrarmos o par ideal para casar, marcar noivado, casamento e sermos felizes para sempre ou mesmo no caso de não querermos, não devemos ser crucificados por isso. Da mesma forma, não devemos criticar quem tem uma opção sexual diferente, pois o que devemos é procurar sentir-nos realizados e felizes, sem prejudicar os demais em seu torno. Nenhuma destas opções abrange mais do que um casal, pelo que quaisquer das opções não deve ser apontada como quase criminosa. Quem se refere a isto, deve referir-se a seguir à questão dos filhos: Seremos nós meras máquinas reprodutoras?! Na nossa opinião, não somos!
       Seremos menos seres humanos do que as pessoas que procuram ter um filho, se optarmos por não os ter? Seremos menos civilizados se escolhermos não ter filhos quando somos, tanto quanto sabemos, jovens e saudáveis, só porque existem pessoas que não os podem ter e queriam? Temos a obrigação de colocarmos crianças não desejadas neste mundo só por isso? Ter uma criança não é o mesmo que comprar um móvel novo para uma casa, não é um objecto, é uma responsabilidade para a vida, é um ser humano, com vontades próprias e que precisará sempre de todo o nosso amor, atenção e disponibilidade, já para não mencionar as questões financeiras deste assunto.
       A questão piora muito quando nos dizem que é preferível fugirmos ao assunto dos filhos ou dizermos até que não podemos ter ao invés de admitirmos livremente que não queremos ter filhos. A verdade é que nunca dizemos nunca a não ser nesta frase. Não sabemos se mais tarde vamos ter um discurso diferente, mas neste momento das nossas vidas é o que temos em mente: não queremos ter filhos. Não temos que esconder isto, porque não devemos nada ao mundo. Não nascemos para procriar, ou nascemos coelhos?! Até podemos compreender quem nos diz que tem pena porque não vamos chegar a descobrir o que sente um pai e uma mãe ao olhar o seu rebento; conseguimos perceber que não conseguiremos compreender cada patamar do que sentem os pais quando o filho vai pela primeira vez à escola, quando diz que namora, quando nos sorri etc, etc. Há muito por descobrir nesta vertente para quem opta por não ter filhos, mas a verdade é que também os pais abdicam de muito para ter filhos. Ambos perdem algo e ganham outras valências. O que não é normal é as pessoas tomarem as dores dos outros e acharem que podem comandar mais do que a sua própria vida. Escrevemos esta publicação na esperança, não de que compreendam o tipo de decisão de quem não quer ter filhos, mas que compreendam este lado e não discriminem, nem passem atestados de estupidez. São escolhas da vida e cada um tem direito de fazer as suas. Senão afectam ninguém de forma negativa, então a sociedade que avance com a sua tranquilidade normal sim? Pensem que para uns poderem ter 4 filhos ou mais, há quem não tenha e assim o mundo avança na mesma…
      Enfim, esta publicação serve somente para mostrar o ponto de vista deste casal que não se imagina a ser pai/ mãe. Um casal que não sente essa necessidade e nunca chegou a sentir. Um casal que não detesta crianças, mas que tem sempre um tratamento mais adulto para com elas. É uma questão que nos é natural. Não é que não gostamos delas, acontece como com qualquer adulto, gostamos de umas e outras não. Trata-se de uma escolha de vida. E sim, minha (Ela) mãe, eu sei que adoravas ser avó (e ainda podes que tens mais um filho, ou quem sabe não acabemos por mudar de ideias), mas tu não contas como o factor negativo que esta opção de vida traz para a sociedade, está bem?!?
       É claro que temos noção de que desse lado muitas pessoas nos vão chamar egoístas por não querermos abdicar do nosso tempo, do nosso dinheiro, de tudo em prol de uma criança que nasce do nosso amor, como a maioria da população e como dita a tradição. E nisto relembramos também outra das perguntas que nos fazem com frequência “Então se dizem não querer ter filhos, como vai ser a vossa velhice? Quem é que vai tratar de vocês?!”. Meus caros, se têm filhos a pensar que eles têm a obrigação de tratar de vocês na infância, talvez não sejamos nós os egoístas. Poderíamos dizer até que é um acto altruísta porque todos sabemos que há sobrepopulação no mundo… Mas preferimos não ir por estes caminhos. Preferimos que vejam a realidade como é: Uma mera questão de decisões sobre a nossa vida. Em nada afecta a vossa ou o mundo em si. Para quê tanto espanto ou discriminação?! A questão que gostaríamos de ver esclarecida era mesmo só esta, mas se tiverem quaisquer outras a fazer, não hesitem em dar uso à caixa de comentários.
Enfim, depois desta nossa confissão, por mera curiosidade, gostaríamos de saber: qual é a vossa opinião sobre o assunto?