Fazem-nos muitas vezes esta pergunta: “Como é que fazem lá em vossa casa se ela é vegetariana e ele come peixe e carne?“. Pois chegou a altura de escrever uma publicação sobre isso. Sim, agora quando nos perguntarem já vamos poder dizer: vai lá ler ao blogue… ahahahah É que na realidade é muito simples este processo. É uma aceitação e um respeito que consideramos essencial para quaisquer relações íntimas. Se somos diferentes, então aceitamos as nossas diferenças e aprendemos diariamente a lidar com elas. Este é o nosso grande segredo.
       “Mas isso quer dizer o quê exactamente?“. Quer dizer que sim, temos sempre que cozinhar dois tipos de comidas diferentes ou um adapta-se ao outro. Claro que eu (Telma) não vou começar a comer carne ou peixe porque me é impingido por ele. Pelo contrário. Ele sabe que é algo que me deixa muito orgulhosa de mim, que me faz sentir melhor pessoa, que é o meu gosto, a minha vontade, pelo que me apoia incondicionalmente. Experimenta a minha comida para ver se gosta, mas não se coíbe de ser quem é. Cozinha-me um prato diferente ou uma proteína diferente e posso mesmo referir que podem ter toda a certeza que é muito mais fácil ele me cozinhar um prato muito mais completo que eu própria, que cozinho qualquer coisa à pressa, na maioria das vezes.
Comida para dois + vegetariano + omnivoro + casal português de comida + blogue ela e ele + ele e ela + Pedro e Telma
       Ainda que a respeite muito, a ela e às suas convicções, eu próprio (Pedro) também tenho as minhas. Eu como carne. Como peixe. Como derivados. Como tudo a que acho que tenho direito e não abdico disso. Não penso sequer se é o errado ou o certo. Não vou abdicar de comer o que gosto e quero. Vivo feliz assim. Ela não me diz todos os dias como estou a comer cadáveres, embora eu saiba que é isso que ela pensa. No seu modo, também sei que ela se esmera mais nas suas receitas para me tentar conquistar a mim e a outros para não comerem carne. Não, ela não anda por aí a tentar converter pessoas qual Jeová de porta em porta. Contudo, só eu sei o brilho no olhar dela de cada vez que alguém experimenta o seu chilli vegetariano ou a sua lasanha vegetariana, e a pessoa diz que gosta e pede a receita. “Posso não converter ninguém, não o faço e nem procuro fazer. Mas se essa pessoa comer menos uma refeição de carne, então já valeu a pena as horas entregue aos tachos. A pessoa fica feliz, come bem, e eu e os meus amigos animais também ficamos!” diz-me ela quando comento isto. A verdade é mesmo essa. Ela fica feliz e olha… Nós também que posso garantir que são das minhas comidas favoritas e olhem que a comida de topo é o arroz de cabidela da minha avó!
        Todo este texto serve para vos mostrar que as diferenças menos boas ou menos fáceis de lidar são colmatadas com outras diferenças boas que existam. Vive-se bem em harmonia se houver realmente o amor que colmata isso. Se houver vontade de criar essa harmonia. Para ela com toda a certeza que não foi fácil pegar neste bife e grelhá-lo. Foi contra o que acredita. Mas eu fiquei muito feliz com ele. No final, até comemos quase o mesmo. Eu comi um bitoque tradicional com um bom bife e direito a duplo ovo, enquanto que ela comeu um bitoque vegetariano, substituindo o bife com um cogumelo portobello e duplo ovo.
Comida para dois + vegetariano + omnivoro + casal português de comida + blogue ela e ele + ele e ela + Pedro e Telma (2)
Que diferenças vos distingue mais aí por casa?