Não bebo álcool. Eu (Pedro) não gosto de beber bebidas alcoólicas. Mas parece que para a sociedade não é suficiente dizer que não gosto. Portanto, hoje partilho o meu testemunho, diferente do habitual, para desabafar e quiçá, mudar algumas mentalidades por aí…
       Às vezes encubro a questão por detrás da epilepsia (também tem que ter coisas positivas isto de ser doente crónico!), porque assim é mais fácil que não insistam na questão. A verdade é que não devo, de qualquer forma, beber álcool em demasia, mas isso julgo que ninguém o deveria fazer, em prole da sua saúde. A questão primordial é mesmo o facto de não conseguir gostar de nenhum tipo de bebida deste género. Aliás, raramente bebo sumos ou chá. Limito-me mesmo à água, que para mim é completamente fulcral e indispensável à vida. Bebo imensa água, mas só água. E não tem a ver com extremismos pela preocupação com a saúde. Eu só gosto mesmo de beber água e isso parece ser um problema para a sociedade em geral.
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       “Queres coca-cola? Fanta? Não gostas de sumos com gás? Posso fazer um sumo natural” ou “Um copo de vinho não faz mal a ninguém, até faz é bem” ou “De certeza que te estás a divertir?“, estas são algumas das muitas questões com que me confrontam com frequência. Não é que tenha algum tipo de preconceito ou problema em assumir que sou completamente abstémio, mas parece que me torno uma pessoa enfadonha e, aparentemente, menos aprazível para uma saída à noite. Eu sou da água, da pureza, do bem essencial à vida e renego todas e quaisquer outras bebidas, porque, por mais estranho que vos possa parecer, eu não gosto de mais nada. No máximo bebo um compal ‘quando o rei faz anos‘, por gostar da espessura do sumo e encher a barriga, mas é efectivamente muito raro e mesmo nesses casos tenho que beber água antes ou depois… ou antes E depois! Água é vida!
       Mas sabem que mais? Isto não fica por aqui… A estatística indica que a seguir ao “Então não bebes?” ou do vulgar “Nem sequer bebes um cafezinho?“, vem o típico “Também não fumas?“, sendo que após a minha resposta prontamente negativa, a questão que se avizinha ser a seguinte também é evidente… Mas a essa respondo que sim.
       Percebo que seja cansativo ter que levar o tipo que não bebe a sair à noite ou ir a uma festa com a companhia que fica pela água. Afinal, sou o único que se lembra dos pormenores todos da fatídica noite que se evapora das memórias dos alcoólicos, seja em que ocasião for. Não sou inundado com a amnésia da noite da festa, mas sou o tipo que, no final da noite, guia em segurança.
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       Às vezes sou do tipo fraco que finge beber uma taça de espumante na passagem de ano ou aniversários, só para brindar, pela tradição e para não dar mau agouro, já que os antigos dizem “que não se brinda com água“. Molho os lábios. Bebo água. Outrora foi o tempo em que fingia ter um copo de álcool na mão, até conseguir discretamente deitar o seu conteúdo fora, para não ter que levar com as perguntas. Ainda hoje, em certas ocasiões, para não parecer mal ao comum mortal, passo o copo à Telma até que ela beba e me passe o copo vazio. Afinal, homem que é homem bebe o seu copo… com álcool. Só meninos bebem água… Só os fraquinhos… Mas sabem que mais?! É preciso ser forte e tê-los no sítio (if you know what I mean) para assumir isto: Eu não bebo álcool. Eu nem sequer bebo sumo. E acreditem, ter que levar com a maioria da sociedade a pressionar para fazermos algo que não queremos e mesmo assim resistirmos, não é de fraco. É beeeem difícil. É duro. É preciso ser-se forte. É que, no final, nem sequer temos como nos abstrair com substâncias da nossa realidade. Vivemo-la de forma nua e crua… e ainda aturamos as dos outros. Eu não bebo, e assumo. E tu? És o que faz perguntas ou dos que responde às perguntas?
Vai um copo? Já sabem que para mim, só mesmo se for um copo de água…
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