Hoje o tema poderia ser sobre comida natalícia. Podia ser sobre os presentes que recebemos. Sobre a família das nossas quatro paredes. Mas hoje é natal. Por isso mesmo, hoje falamos na família no sentido que nós gostamos de usar. Hoje falamos de amigos, que são a família que podemos escolher. E, mais particularmente, falamos dos companheiros da noite, algo que nos orgulhamos mesmo muito de ser. E não, não estamos a falar de borgas nem bebedeiras!
As fotografias não revelam caras, porque qualquer um pode ser voluntário. Qualquer um pode ajudar.
Para não promover a imagem de uns e não outros, desfocámos as caras.
      
A publicação de hoje é sobre a ajuda ao próximo. Aquela que não é só dada no natal.
 
      Vamos ser então explícitos: A nossa intenção é apresentar-vos Os Companheiros da Noite, uma associação de apoio a sem-abrigo e pessoas carenciadas do concelho de Vila Franca de Xira, que é uma associação sem fins lucrativos (que podem e devem seguir por aqui). Nós somos voluntários aqui, porque acreditamos que podemos não mudar o mundo, mas podemos ajudar quem nos rodeia e torná-lo um pouco melhor. Fazêmo-lo porque não tem preço a ajuda a quem mais precisa! Não tem preço o olhar de frente para quem é sempre olhado de lado pela sociedade, mesmo sem conhecer o seu passado. Nós olhamos de frente e temos orgulho por isso. Temos muitos privilégios de olhar de frente quem é olhado de lado. Aprendemos muito sobre nós e sobre a vida! Aprendemos a ser melhores pessoas. Aprendemos que o natal pode mesmo ser todos os dias e que a família pode ser quem escolherem. Aprendemos que um sorriso não tem valor… É muito superior ao que se possa calcular. Escolhemos o dia de hoje para fazer esta publicação e não foi ao acaso, como podem calcular. Quisemos aproveitar esta época natalícia, quando tantas pessoas gostam de ser bondosas (porque, enfim, diz que é natal), para relembrar que o natal pode ser amanhã e depois e depois… O natal pode ser quanto vocês (tu) quiserem! Quem precisa… Não precisa somente no natal.
       Eu (Ela) abdico de um sábado por mês desde os meus 15 anos (às vezes de outros dias das minhas semanas!). Abdico? Perco tempo? NÃO! Eu sempre ganhei dias nesta associação a fazer sandes, a fazer sopa, a escolher roupa, a vender rifas… A fazer o que for preciso para ajudar quem mais precisa. Sem dúvida que por lá se conhecem voluntários que nos alegram o dia. Nesta associação não vemos os lados tristes. Vemos como tornar mais feliz o que houver de tristeza. Fazemos o que pudermos e concentramo-nos em soluções. Tentamos melhorar o local que nos rodeia e, a ver pelas pessoas que já ajudámos e que agora ajudam outros; a ver pelas pessoas que, com a ajuda dos companheiros da noite conseguiram mudar de vida, diríamos que é um excelente trabalho o que se faz por cá! Diríamos que são precisas mais associações destas. Associações que não se limitam a encher sacos de comida. Que entrega o seu tempo a quem precisa de conversar. Que já transformou casas para que crianças permaneçam num lar, com a família; que transforma tantos outros espaços para que pessoas possam ter o seu lar. Sabem, é que às vezes basta uma conversa, naquela noite fria de inverno, em que não é natal, em que está a chover e não apetece sair dos quentes lençóis, para ajudar e muito! alguém. Às vezes as férias significam dar tempo para acompanhar alguém que precisa. Às vezes os dias chuvosos e frios servem para vestir os casacos e andar à chuva à procura daquelas pessoas que precisam de ajuda! Nós fazemos isso e, tal como muitos outros voluntários, orgulhamo-nos muito de o fazer. Orgulhamo-nos muito de andar pelas ruas e cumprimentar os ares envergonhados que não sabem se hão-de falar ou se só se podem aproximar quando a carrinha chega com os coletes flourescentes. Nos dias a seguir à volta, depois do sobe e desce de carrinha, das caminhadas, de todas as tarefas, o corpo está completamente dorido e pede descanso, mas mesmo que se vá trabalhar, o dia seguinte é muito melhor, porque sentimos o que só um voluntário numa associação destas sente. Por isso mesmo, decidimos desafiar-te a que procures ajudar quem mais precisa. Desafiamos-te a sentir o que nós sentimos!

 

         Eu (Ele) fiquei nervoso no primeiro dia em que acompanhei a Ela nestas caminhadas. Mas sabem que mais? Poucos minutos passaram até que me sentisse enquadrado… até que também me sentisse um companheiro da noite! Até que percebesse porque é que a Ela sempre me disse “não me faças falar dos companheiros porque senão nunca mais me calo…“. Por tudo isto, gostaríamos de agradecer a todos os companheiros da noite pelo fantástico trabalho que desempenham! Pelo natal que dão sempre a quem não tem família. Por cada noite que saem à rua, por cada acção feita!! Muito obrigado companheiros!

 

       Muito obrigado ao grupo de amigos que saiu à rua, numa noite de natal, para distribuir comida a quem precisa, e que decidiu formar esta associação. Se cada um der o que tem, o que não precisa; se cada um dispensar um pouco do tempo e atenção… Acreditem que não custa nada e tudo fará mais sentido! Obrigado particularmente à minha (Ela) mãe e ao padrasto por me terem levado convosco. Por me terem permitido crescer aqui. E, por fim, obrigado ao grupo a que gostamos de pertencer (não é preciso nomear nomes, porque cada um de vocês é tão nosso… Nem vocês devem saber o quanto… Mas sabem que são um pouco nossos!). Mesmo sem folgas que nos permitam ir com a regularidade que queríamos, sempre que a agenda o permitir, lá vamos nós embarcar em mais uma volta! Quando derem conta, lá vamos nós entrar pela carrinha adentro e só saímos quando a volta estiver dada por terminada!!        
 

 

 

       Obrigado à direcção. À fantabolástica Helena (presidente da associação) que nos inspira todos os dias. Obrigado a toda a direcção que permite que todos os sábados e quartas-feiras a associação saia à rua para ajudar quem mais precisa. Obrigado a cada um dos voluntários. Obrigado aos companheiros da noite!
       Foi um dos textos mais difíceis de escrever. Hoje sentimos uma pressão como ainda não tínhamos sentido com outros assuntos a que gostaríamos mesmo que prestassem atenção. Hoje falamos de apoio ao próximo. Falamos de voluntariado… De dar e receber! Falamos de natal… Mas só porque o natal pode ser quando nós quisermos e nós preferimos que seja todos os dias!
FELIZ NATAL!