Quem, como nós, adora as francesinhas, conhecidas como sendo do Porto, em modo “amor à primeira vista, que será para sempre”, sabe que é difícil encontrar boas francesinhas noutro local que não na sua terra de proveniência. Por isso não hesitamos em experimentar quando nos recomendam um bom local pela área de Lisboa. Raramente nos faz crer que a francesinha é tão boa quanto a conhecemos e acabamos por preferir reproduzir a nossa, em nossa casa, contando com a ajuda da Guloso (podem relembrar a receita aqui). Mas claro que continuamos em busca de uma segunda hipótese. Foi então que nos foi indicado ir ao Restaurante Dote, também conhecido vulgarmente por o Marco das francesinhas. Está sempre a abarrotar de gente e o difícil é conseguir mesa para experimentar a sua especialidade. Num laivo de sorte lá fomos nós e conseguimos mesa. Fomos com o meu (Ele) irmão. No final, todos concordámos com uma coisa: Este é o restaurante ideal para recomendar aos que mais gostamos… mas também para recomendar ao nosso pior inimigo!
       A frase pode surpreender, mas todos tivemos uma opinião unânime. Principalmente nós. Por esta altura já devem saber que gostamos de arriscar nos pedidos quando vamos a um qualquer estabelecimento de venda de comida. Gostamos de arriscar e de ser surpreendidos. Às vezes corre-nos mal, mas nós gostamos é de nos lembrar de quando corre bem, por isso andamos sempre nisto. Além disso, pedimos sempre uma coisa diferente, a menos que já conheçamos de ginjeira o restaurante. Assim ficamos a conhecer melhor o estabelecimento que visitamos. Com este restaurante não foi em nada diferente.
       Pedimos então a francesinha dragon red (com carne assada), porque nos assumimos como verdadeiros apreciadores. A par disso, pedimos a francesinha lady (porque é uma versão menos densa de carnes), e o meu irmão (Ele) pediu a francesinha à portuense. Muito satisfeitos ficámos quando as francesinhas chegaram com toda a pompa e circunstância dos seus cheiros e da sua aparência tão gostoooosaaa! Salivávamos! Mas, como podem confirmar pelas fotografias, não era para menos!
       Esta foi a francesinha do Ricardo. Provavelmente uma das mais pedidas do restaurante. A mais tradicional, a francesinha portuense (a berdadeira). Tinha um aspecto excelente. E o sabor também era o típico de uma francesinha, mas não de uma lisboeta. Neste restaurante podemos voltar ao Porto sem sair da capital. Não esquecendo que é um prato tipicamente picante, é muito saborosa, muito tradicional. Recomendamos vivamente que a experimentem. Se gostam deste prato, ou se ainda não experimentaram, recomendamos que o façam neste local, caso morem longe da sua zona típica. Neste caso só salientamos que trazia pouco molho, mas isso é realmente à vontade do freguês e, para quem não aprecia tanto demolhar as batatas fritas no fabuloso molho de francesinha, cá está a melhor hipótese. Para quem quer mais molho, basta pedir. Foi, na realidade, a nossa safa, como poderão ter oportunidade de ler mais à frente.
       Esta é a francesinha mais à senhora, que geralmente não gostam de tantos enchidos e tanta comida de encher o bucho. Lá fui eu (Ela) armar-me em esperta e pedir esta… que é divinal, diga-se de passagem. A alface dá-lhe um toque mais fresco e todo o seu conteúdo é bastante mais leve que o tradicional. Embora goste também da tradicional francesinha, esta é ainda mais do meu agrado. Para ser perfeita, só faltou adicionar o ovo por cima. Para a próxima já sei e espero lá voltar brevemente… Só para perceber se fico tão cheia como com as outras. Só para perceber se continua tão boa do que como eu me lembro dela… Sim, fui eu que a pedi como leram, mas teve que existir uma alteração nos planos iniciais…
       Toda a gente sabe que a francesinha é uma típica comida picante. Não é picante… Então não é francesinha. Mas como também toda a gente sabe, há picantes e picantes… E nós decidimos ignorar o facto de darem o nome de um dragão à francesinha. Por isso eu (Ele), que nem aprecio muito picante, a não ser em típicas comidas como esta, que são a excepção à regra, fui arriscar para a dragon red. O que é que aconteceu? Desisti à primeira garfada! Troquei então com a namorida.
       Eu (Ela) costumo gostar de picante, por isso também me ofereci logo para esta troca. Acontece que percebi que todas estas bolinhas vermelhas tão visíveis na fotografia significavam todo o picante que a francesinha trazia. Mas claaaaaaaro que jamais daria parte fraca!! Isso estava fora de questão. Por isso decidi ignorar o que o empregado indicava. “Está boa? Não está muito picante?” dizia ele, ao que eu dizia prontamente “Não, está boa”, só para o distrair e poder sofrer em sossego. Eu disse que gostava de picante, mas uma mera garfada abriu os meus lábios completamente. Logo à primeira garfada e já suplicava pelo meu carmex, de tal calibre que era o picante! Ignorei o facto do empregado me dizer “é que eles hoje exageraram no picante, agora já está corrigido” e insisti que havia de comer assim.
       Eu (Ele) já a conheço e pedi eu mais molho para a minha para que ela pudesse misturar. Teimosaaa como tudo! Mas lá foi misturando para conseguir comer. Ainda assim notava-se que lhe estava a custar horrores! Há que dar o mérito da teimosia e burrice em não ter desistido e pedido para alterar o molho ou mesmo para trocar a francesinha. Escusado será dizer que nos dias seguintes percebeu perfeitamente os seus erros. Dias de baixa se sucederam…
       Acreditem que, se querem mal para os vossos piores inimigos, têm que lhes dar a francesinha tal como nós a degustámos. Os dias seguintes que eu (Ela) vivi ditam que é a melhor refeição que lhes poderão dar. Vou poupar os pormenores, mas vos garanto que, tão cedo, não como nenhum tipo de picante nesta vida! O melhor mesmo é mudarmos de assunto…
       Como com o último pedido correu mal, a questão das experiências e pedidos diferentes, optámos para sobremesa algo seguro: Um belo cheesecake. E achámos que o pedido ideal seria uma das duas primeiras francesinhas que descrevemos e uma boa fatia de cheesecake, para uma refeição perfeita! Ainda assim a minha (Ela) opinião não pode ser muito tida em conta. Quer dizer, eu confio no meu namorido e acredito que o cheesecake tenha sido realmente divinal… Mas a mim por esta altura, qualquer coisa fresca me sabia ao paraíso!!
       Já o Ricardo experimentou o pudim, que nem vinha no menu. Vale sempre a pena perguntar a quem vende o que vende… ahah
       No geral a experiência foi muito positiva. Já marcámos na agenda lá voltar em breve. Ainda que tenhamos sido vítimas de um erro de percurso e da teimosia que me (Ela) corre nas veias, sei bem o valor que este restaurante tem, porque já havia provado antes o seu calibre… Antes de eles me rebentarem com as papilas gustativas… Lá está: recomendamos a quem gostamos… Mas também a quem não gostamos! Vão todos conhecer este dote! Uma cervejaria moderna que fica na zona VIP de Odivelas, as colinas do cruzeiro. Saibam mais pela sua página de facebook aqui.