Desde que eu (Ele) a conheço que ela tem vontade de se tornar vegetariana. Aos poucos foi deixando de comer carnes vermelhas, salvo raras excepções. Sempre respeitei as decisões dela e sempre a incentivei a fazer o que achava melhor; o que queria fazer. Quando a levei para conhecer a minha família, todos já sabiam disso. Pedia logo para terem cuidado com as refeições dela, que se resumiam a frango e perú ou peixe. Aos poucos foi-me convencendo a comer soja e a ir provando outras receitas mais verdes. Eu sempre achei que ela me fazia bem, mas não lhe digam isto…
       Eu (Ela) desde que me lembro que sempre quis ser vegetariana, mas o macdonald’s, a picanha, as lasanhas, o presunto, o chouriço e tantas outras iguarias deliciosas foram-me demovendo. Cheguei a passar quinze dias numa alimentação vegetal, mas como não me preparei previamente e estudei o assunto, acabei por voltar aos velhos hábitos em detrimento do plástico que andava a comer por desconhecimento total. Mas tudo muda de um dia para o outro. Basta querer-se! É disso que hoje escrevemos.

Eu (Ela), com todo o incentivo do meu amor (e mais nenhum membro da família) decidi que ia mudar para uma opção de vida diferente: uma nova opção alimentar! Por enquanto não me sinto preparada para ser vegetariana totalmente, mas preparo-me há semanas para assumir isto: Vou ser ovo-lacto-vegetariana! Não largo os iogurtes, não dispenso os queijos e não me sinto preparada para deixar de comer ovos. Mas lá vou eu ter que dizer não à bela bifana, ao comum chouriço assado, ao cozido à portuguesa. Vou trocar muitos petiscos, muito boas refeições por outras tantas igualmente deliciosas. Há todo um mundo por descobrir. Por isso optei por tomar esta decisão com plena consciência do que estava a fazer. Estou há mais de uma semana a pesquisar receitas e a ler sobre o assunto. Quando se toma uma opção destas há que ter plena consciência do que fazemos. Eu estou com perfeita consciência. Por isso planeei tudo. Por enquanto só falhei numa coisa: Na data! Ao início achei que o início de um novo mês era o mote ideal para o início de uma nova escolha alimentícia. Depois pensei que não haveria motivo nenhum para aguardar e cá estou eu a comunicar a decisão tomada, e já lá vão dois dias.

        Eu (Ele) vou apoiá-la incondicionalmente. Ainda continuo a referir que poderia incluir algum peixe, mas a decisão é dela e respeito-a incondicionalmente. A única recomendação que fiz foi que se informasse antes de avançar com a ideia. Trocar a carne por outros substitutos é uma coisa. Outra muito diferente é deixar simplesmente de comer carne, podendo ter problemas de saúde posteriores por não terem tomado os cuidados necessários. Como já sei o que a casa gasta em termos de descuidos alimentícios, vou controlar o assunto. Acho que é o que se deve fazer quando alguém que amamos toma uma decisão destas: informar-se sobre o assunto, respeitar a decisão, apoiar e manter a atenção para ver se nada traz de prejuízos à saúde. Não há desculpas para se referir “mas assim vais adoecer porque não tens as proteínas necessárias à vida, etc etc“. Hoje em dia a Internet dispõe de uma panóplia de informações referentes ao assunto. Apoiem o que traz felicidade à vida de quem amam!
       Para mim (Ela) é mesmo muito, muito importante que a pessoa com quem partilho a vida me apoie numa decisão tão importante para mim. É importante que não me recrimine ou diga que é algo que durará uma semana. É importante que acredite em mim e me ajude a ser feliz comigo mesma. Só assim faz sentido.
       Achamos os dois importante referir dois aspectos importantes para o blogue: Não vamos deixar de publicar receitas omnívoras. Afinal eu (Ele) não vou mudar as minhas opções alimentícias. Por outro lado, também não vai ser dispensada um aprofundamento ao tema vegan. Haverá ambas as vertentes. Afinal, vamos cozinhar ambos os tipos de pratos cá em casa. No fundo, nada altera cá para o estaminé. A diferença é que será mais abrangente. Esperemos que gostem e que por cá continuem.